Porque fazer arteterapia

 

 

A ARTETERAPIA é uma abordagem terapêutica que tem por objetivo auxiliar a trabalhar melhor os obstáculos e desafios que a vida nos apresenta.

Como o mundo e nós mesmos estamos em permanente transformação há momentos em que nos vemos empurrados para situações que não compreendemos ou não sabemos como ultrapassar. São momentos em que temos que nos reconfigurar e reorganizar nossa existência para podermos seguir em frente.

As linguagens artísticas, não importa quais sejam, constituem uma outra forma de comunicação que permite a ampliação do diálogo com o que está dentro de nós e possibilita o processo de expansão de nossa consciência.

O processo arteterapêutico oferece a possibilidade de que isso seja feito a partir do que existe de singular em cada um de nós – ampliando a percepção de nossos desejos, de nossas sensibilidades e de nossas habilidades expressivas e criativas – assim como facilitar nossos processos de relação e interação com o outro e com o mundo.

Ao ser uma abordagem transdisciplinar, isto é, que utiliza conhecimentos e práticas de diferentes áreas – como psicologia, arte e filosofia, entre outras – o diálogo consigo mesmo e com o outro é incentivado a partir de outros mediadores de expressão e não apenas do verbal. Nas entrelinhas de um desenho, de uma música ou de um texto, por exemplo, várias coisas podem ser descobertas e trabalhadas de modo muito mais fácil do que apenas pela comunicação oral. As palavras impõem limites, mas as imagens podem possuir um nível de penetração na mente que consegue superar o pensamento discursivo.

E, toda a experiência com o trabalho arteterapêutico pode ser feita em um contexto onde é possível relaxar as defesas e estar protegido das consequências do ter que agir na realidade.

ARTE E TERAPIA

A arte é uma forma de expressão e de linguagem, que sempre esteve presente no universo humano, desde o início dos tempos. É só observarmos as pinturas rupestres nas paredes das cavernas.

A linguagem escrita, por exemplo, nada mais é do que o desenvolvimento de símbolos ou desenhos que foram se desenvolvendo ao longo da história humana e sendo compartilhados com outros seres abrindo a possibilidade da comunicação e da integração. Essa comunicação, que é universal porque usa símbolos comuns aos indivíduos de seu contexto e cultura, é também individual porque nenhum ser humano expressa seu modo de ver de forma idêntica ao outro.

Por outro lado, o processo de criação no fazer artístico envolve a imaginação, as experiências e vivências anteriores, a identificação de fatos e a busca de modos próprios de ver trabalhar cores, imagens, desejos e sonhos, ao mesmo tempo em que se transforma materiais inertes para dar significados ao que está sendo criado.

O emprego desta capacidade criativa, que existe em todos e cada um de nós, possibilita reorganizações emocionais que ativam potenciais instrumentos de cura de enfermidades psíquicas e de conflitos pessoais e sociais, de desenvolvimento da expressão, autoconsciência e comunicação e consequentemente a diminuição da insegurança e ansiedades frente aos obstáculos da vida.

Assim, embora quase todas as atividades artísticas possam ter qualidades terapêuticas como relaxamento, satisfação e momentos de equilíbrio, a arteterapia vai muito além pois possibilita o acesso a questões de nosso inconsciente que não são controladas pela razão.

Desde a antiguidade vários destes benefícios já eram conhecidos, embora não tenham se popularizado. Porém, na atualidade a própria ciência vem constatando as propriedades benéficas de terapias com a utilização da arte, da yoga, da meditação, da hidroterapia e outras. A integração da medicina tradicional com formas alternativas de cura já são consideradas em muitos centros universitários pelo mundo devido à melhoria da qualidade de vida dos pacientes, no enfrentamento da doença, no controle do estresse e outros.

A arteterapia vem sendo utilizada em diversos contextos: na educação, na saúde, no desenvolvimento de processos criativos em empresas, na preparação de atletas, na reabilitação de portadores de dano cerebral, no trabalho com dependentes químicos, idosos e outros. A experiente psicóloga, professora e arteterapeuta Selma Sciornai, em seus três volumes dos “Percursos em Arteterapia”, apresenta muitos exemplos de sua aplicação e os ótimos resultados propiciados.

A psicologia, em particular, beneficia-se muito com este trabalho pois é de grande auxílio tanto na observação do processo criativo e artístico como nas elaborações terapêuticas posteriores.

É UMA TERAPIA PARA TODOS

Qualquer pessoa pode beneficiar-se dos efeitos da arteterapia pois a vida vê-se ampliada a partir da exploração das experiências dolorosas que causam desequilíbrios. A utilização de recursos, materiais e meios artísticos específicos para cada situação problemática vivida pela pessoa gera um novo movimento de equilíbrio emocional ausente até então.

Uma pergunta que sempre nos fazem é como uma pessoa que não vê em si mesma nenhum "talento artístico" pode ter capacidade de participar de um processo arteterapêutico.

O que mais importa no trabalho não é a capacidade de realizar uma obra de arte e sim de conseguir expressar-se através de um desenho, pintura, modelagem com argila, poesia, dança, dramatização ou música. É como voltar a ser aquela criança que realiza suas atividades sem se preocupar com a crítica que vão fazer de seu trabalho, sem os condicionamentos e convenções sociais e sem os aprisionamentos que causam doenças.

Neste fazer artístico, realizado em um ambiente seguro e acolhedor, são levados em consideração tanto o processo criativo como o resultado dele através da relação que se estabelece entre quem cria e o objeto criado, todas as emoções, pensamentos e descobertas que foram surgindo, boas ou ruins, e que depois de devidamente analisadas com a facilitação do terapeuta estão prontas para serem transformadas.

É uma abertura de portas para o desenvolvimento de novas sensibilidades, potencialidades, para a criação de novas subjetividades e histórias de vida.