Fui rejeitado: como acabo com essa dor?

                                                                                                                                                                     

                                                                                                                                                                                                  Parte 2

        

         Como dissemos anteriormente, a dor por nos sentirmos rejeitados pode ser tão forte que se transforma em dor física, tomando conta de nós e conseguindo até deixar-nos paralisados.

         Isto pode ocorrer devido a questões do passado, seja da infância ou de experiências negativas que tivemos em outro momento da vida, e também pode nos fazer muito mal se não conseguirmos seguir adiante.

 

Você sabe, realmente, porque está se sentindo tão mal?

         Essa pode ser uma grande oportunidade para que você possa começar a se conhecer melhor.

         Na maior parte do tempo vamos no embalo do que é senso comum na sociedade, em nossa família ou entre nossos amigos. Não paramos muito para pensar naquilo que é realmente nosso (fruto de nossos sentimentos e experiências) e o que nos vem de fora. Simplesmente aceitamos ideias sem analisá-las, e quando vivemos situações de conflito interno já nem sabemos mais porque estamos nos sentindo tão mal.

         Já vi casos de pessoas que não aguentavam mais o relacionamento que tinham, viviam pensando em terminá-lo, mas não o faziam por medo da solidão, de magoar demais o outro ou qualquer outro motivo. E quando a relação acabou essas pessoas ficaram deprimidas, obcecadas e revivendo só as coisas boas do relacionamento, esquecendo-se de tudo aquilo que as levaram a ser tão infeliz anteriormente.

         Outro caso interessante é o daqueles que aceitaram viver com muito pouco naquele relacionamento, só de migalhas mesmo, e quando a ligação termina passam a dizer que aquilo era um grande amor, que aquela pessoa era o homem/mulher de sua vida e que nunca mais terão uma relação tão maravilhosa.

         Quando questionadas sobre o que significa o amor para elas, ou não sabem responder ou dão respostas que não correspondem a nada do que viveram.

         De modo geral isso ocorre com pessoas que se valorizam pouco, que de algum modo não se sentem dignas de receber afeto e ainda depositam no outro a responsabilidade pelo seu bem-estar afetivo.

      É importante pensar que para qualquer um de nós, o medo de ser rejeitado é uma marca que carregamos e que pode vir a se transformar em uma ferida emocional porque nos traz o temor da rejeição de nós mesmos, daquilo que temos de mais importante.

         Assim, fazer uma análise profunda sobre quem você é, de quais são as suas necessidades e seus verdadeiros desejos é fundamental para que você possa sair fortalecido dessa experiência e exercitar um modo de ser diferente quando começar a relacionar-se com outra pessoa.  

  

Aceitar a rejeição é o primeiro passo

         No começo de uma separação é relativamente natural que a pessoa fique remoendo os fatos e tentando obter explicações para o ocorrido.

         Mas de nada adianta você ficar obcecado procurando culpados, fazendo investigações sobre a vida do outro, planejando retornos ou preparando vinganças. Isso só vai te trazer mais dor. Pode ter certeza, você continuará sofrendo e a outra pessoa seguirá levando a vida do jeito que planejou, a não ser que fique com pena e decida voltar para você por este motivo.

         Pense que uma relação saudável pressupõe troca, afeto e reconhecimento. Que não seria bom para você viver das migalhas deixadas por alguém.

  

Falhas e culpas...

         Outra coisa muito comum na pessoa que se sente reprovada é ficar procurando por seus erros; onde e em que momentos falhou na relação.

         Muitas vezes a pessoa entra em um processo repetitivo de revisar acontecimentos. Revê centenas de vezes os mesmos fatos e a partir de alguns deles termina por se culpabilizar pelo que aconteceu. Isso a leva por caminhos autodepreciativos, onde fica se lamentando por suas deficiências, sentindo-se incompetente e fracassada.

         Buscar e encontrar nossos erros pode nos ajudar a corrigi-los e preparar-nos para melhorarmos em outras ocasiões. Porém, o sentimento de culpa mal dirigido nos faz ficar presos ao passado, dificulta nosso aprendizado e destrói nossa esperança em relações equilibradas.

         Viver com o sentimento de culpa é carregar um fardo pesado e realizar uma autopunição grande demais. Isso só faz diminuir o respeito por si mesmo e a consciência de seu próprio valor permitindo que outras pessoas e situações possam vir a magoá-la ainda mais. E se a pessoa errou de verdade ainda dificulta aprender com os próprios erros.

         É importante pensar que muitas vezes uma relação termina porque as pessoas estão em momentos diferentes, porque seus estilos de vida já não combinam, porque seus desejos já não são mais os mesmos. E isso é normal, faz parte da vida, estamos sempre nos transformando.

  

Cuidar de si

         É preciso encontrar nosso lugar no mundo.

Para isso temos que cuidar de nós mesmos, jogarmos fora aquilo que não nos serve mais, deixar de lado as fantasias de que se gostamos de alguém essa pessoa vai gostar de nós com a mesma intensidade ou então, que se alguém não gostou de nós ninguém nunca mais vai gostar.

Temos que entender que a opinião que fazemos de nós mesmos não necessariamente é a opinião que os outros têm de nós. Todos temos coisas boas e coisas ruins e se aprendermos a reconhecê-las temos a possibilidade de crescer e mostrar ao mundo nossas múltiplas capacidades e desejos.

Se gostarmos de nós mesmos, daquilo que estamos construindo em nossas vidas, certamente existirão outras pessoas que também poderão gostar disso e irão querer caminhar lado a lado conosco, não em uma relação de hierarquia ou de desigualdade, mas em um relacionamento saudável, equilibrado e amoroso.