Setembro Amarelo

 

No mês de setembro realiza-se uma campanha de prevenção ao suicídio.

Esta campanha é de extrema importância já que mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida todos os anos e é a segunda causa de morte de jovens em todo o mundo.

SETEMBRO AMARELO

JPEG SITE

 

a importância de falar sobre isso

Estatísticas mostram que este é um problema social. Ele é tão relevante para a saúde pública que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu priorizar este tema em sua agenda global de saúde e incentivar campanhas de prevenção em seus países membros. O monitoramento das taxas em 172 países mostra que já houve um decréscimo na última década.
Porém, no Brasil, houve um aumento de 10% na incidência de suicídios neste mesmo período e já somos o 8º país do mundo em números absolutos, com uma média de 32 mortes por dia. E mais, dados da UNICAMP mostram que, de cada 100.000 brasileiros, 17 já tiveram algum pensamento suicida ao longo da vida, cinco fizeram planejamentos, três chegaram à tentativa e um foi atendido em pronto-socorro.
As condições de vida da população mundial, assim como de nosso país, contribuem para um aumento do sofrimento mental das pessoas e maiores dificuldades em seus relacionamentos produzindo relações de opressão, desigualdade, competitividade, individualismo e violência que não respondem àquilo que é propagado e exigido socialmente.
É muito importante que este fato seja levado em consideração porque, de forma geral, as explicações dadas ao suicídio culpabilizam o próprio indivíduo e/ou as pessoas de seu entorno.
Porém, segundo a OMS cerca de 75% das pessoas que tiram sua própria vida estão em países de renda média e baixa, o que mostra que as promessas de sucesso e felicidade que são apresentadas às pessoas e que depois não podem ser concretizadas levam à sensação de fracasso, que pode tornar-se tão forte que leva pessoas ao suicídio.
Portanto, o suicídio é um fenômeno complexo, que tem diversas causas, é estigmatizado e afeta muitas pessoas próximas à vítima.

 

 

o que pode levar uma pessoa ao suicídio

 

1. Não existe uma explicação única para o comportamento suicida. Podemos falar em 3 fatores associados:

 
  1. Fatores precipitantes – externos ao sujeito
  2. Fatores internos – relacionados aos seus problemas e história de vida
  3. Contexto social em que a pessoa vive
 

2. A pessoa que tira a própria vida sente uma imensa dor psíquica. Uma dor tão forte que não consegue suportar. E, muitas vezes, quando pensa em suicídio não está pensando em acabar com a vida e sim com a dor que sente.

 

3. A pessoa sofre e não consegue explicar o seu sofrimento. Ou, quando tenta não consegue ser ouvida.

 

4. Geralmente tem vergonha, medo ou não quer ser um peso para sua família ou amigos, muitas vezes por achar que eles têm problemas maiores para resolver.

 

5. Pode ter medo de não ser levada a sério ou de mostrar suas ideias e dores em um mundo que tudo rotula e diagnostica (está triste é ser deprimido, está diferente é ser maluco, etc.);

 

6. Porque tem dificuldade de trabalhar com o tempo e pensa que as dificuldades podem durar para sempre;

 

7. Porque antes de qualquer fato que possa desencadear a ação, essa pessoa já vinha tendo problemas há muito tempo. Por exemplo:

 

      - havia sido induzida a acreditar que apenas com o seu esforço pessoal conseguiria alcançar o sucesso e resolver todos os

        seus problemas e isso não se concretizou;

 

      - os dias atuais dificultam a que as pessoas possam aproximar o mundo que é mostrado e idealizado daquele que é real,

        gerando expectativas que não se realizam e resultam em frustrações;

 

     - desespero por não encontrar algum sentido para sua vida, por não conseguir elaborar as suas próprias dores e ter que

       aguentar as pessoas apresentando suas próprias receitas de otimismo e que não condizem com o que necessita;

 

     - estar passando ou ter passado por situações de violência física ou psicológica;

 

     - algum tipo de transtorno mental como depressão, esquizofrenia, alcoolismo ou outro;

 

     - alguma doença física (séria, incurável ou terminal).

 

como podemos ajudar uma pessoa nestas condições

 

1. Em primeiro lugar não diminuir o que ela está sentindo. É preciso dar acolhimento à sua angústia e aflição. Em alguns casos,   se a pessoa souber que alguém se importa em ouvir atentamente o que ela tem a comunicar é suficiente para que volte a ter esperança em dias melhores.

 

2. Não julgar como se fôssemos os donos da verdade e a pessoa não soubesse de nada. Nossa história é só nossa. Desconhecemos as dores do outro e até as nossas próprias. Nós também podemos ficar arrasados por uma notícia ruim ou situação difícil. Precisamos parar de rotular tudo e achar que temos resposta para o problema dos outros.

 

3. Ouvir. Quem precisa desabafar não quer conselhos, só precisa saber que alguém se importa, que sua dor pode ser escutada, que não está só. É preciso realmente disponibilizar seu ouvido para esta pessoa.

 

 4. Se a pessoa não pedir ajuda e você observar que ela está mais calada que o normal, isolando-se, faltando ao trabalho ou escola, bebendo mais, não querendo tomar banho, dizendo que está cansada de viver ou que a vida não tem sentido, é importante buscar conversar calmamente, olhar nos olhos e perguntar no que ela está pensando e mostrar que está ali para ouvi-la e ajuda-la.

 

5. Caso perceba que há algo um pouco mais sério encaminhe-a para um serviço de saúde.

 

 

como trabalhar A DOR DE QUEM FICA

 

o suicídio de uma pessoa gera um forte impacto na família e entre os amigos e colegas de trabalho ou estudo. A vida fica terrivelmente transtornada e sofrida pois a morte foi violenta, repentina e uma escolha do suicida:

   a. as pessoas sentem a necessidade de explicar e dar sentido àquele fato e justifica-lo;

   b. o luto é uma vivência muito particular, cada pessoa viverá isso de maneira diferente,

   c. os que ficam, chamados de “sobreviventes” (porque viveram um evento extremo), passam a ter maior risco de suicídio que do

       que a maioria das pessoas e podem desenvolver doenças físicas e psíquicas;

 

   d. é um processo muito doloroso que envolve culpa, raiva, tristeza, sentimento de impotência, fracasso, ansiedade, vergonha;

 

   e. para as famílias que não haviam percebido o risco que havia, é importante elaborar os sentimentos de raiva e culpa para que

       possam sair adiante;

 

   f. nos casos em que alguém sabia que poderia ocorrer, é preciso tratar dos sentimentos de impotência e fracasso além dos que

      foram citados acima;

 

   g. outras consequências que podem ocorrer são: negação do fato, não aceitação  daquela ausência, depressão, desamparo,

       dificuldades de relacionamento, aumento do uso de drogas ou álcool, desenvolvimento de transtornos mentais e outros;

 

   h. assim, torna-se importante dar significado à esta perda buscando um sentido à sua própria vida e investindo nela;

 

   j. por isso é fundamental buscar apoio de amigos e profissionais de saúde, participar de discussões e de grupos de

      sobreviventes, entre outros.

 

 

pensar sobre a PREVENÇÃO

 

É necessário pensar sobre a prevenção no sistema de saúde brasileiro, preparar os profissionais para que possam dar o acolhimento adequado e tomar as medidas necessárias para auxiliar pessoas com este grande grau de sofrimento psíquico. A criação de grupos de sobreviventes pode permitir que o luto dos que ficam seja realizado com o acompanhamento profissional de pessoas que possam auxiliá-las a compreender o contexto em que as coisas ocorrem e facilitar a que deem um novo significado à sua própria vida.

Porém, a prevenção tem que necessariamente ir além da rede de saúde. São necessárias medidas em outras esferas sociais e governamentais para que estas taxas alarmantes diminuam. E campanhas similares ao “Setembro Amarelo” têm que existir permanentemente para que a sociedade compreenda que cada um de nós está inserido em um contexto social que nos afeta e nos modifica constantemente, fazendo com que nossas experiências psicológicas e de vida nos levem para caminhos diferentes, que precisam ser pensados e avaliados sobre uma outra lógica de existir no mundo.

 

HALOS SETEMBRO AMARELO